Entenda os principais crimes praticados no ambiente digital, como funcionam as investigações, quais provas podem ser utilizadas e quais direitos devem ser observados durante o processo.
▣Publicado em 15/09/2026
↻Alterado em 15/09/2026
◷6 min de leitura
✓Revisão técnica: Dr. Tiago M P S
O que são crimes digitais?
São infrações praticadas com o uso de computadores, celulares, redes sociais, aplicativos, sistemas ou outros recursos tecnológicos. Além disso, uma conduta tradicional pode utilizar a internet apenas como meio para sua prática.
Quais crimes podem ocorrer no ambiente digital?
Entre as situações mais comuns estão fraudes eletrônicas, invasão de dispositivos, obtenção ou divulgação indevida de dados, ameaças, crimes contra a honra e outras condutas praticadas por meios digitais.
Como as investigações podem ocorrer?
A investigação pode envolver mensagens, registros de acesso, dados de conexão, imagens, arquivos, informações de dispositivos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a autoria e as circunstâncias do fato.
A prova digital pode ser questionada?
Sim. A forma como o dado foi obtido, preservado e apresentado pode ser relevante para avaliar sua validade. Por isso, a análise não deve considerar apenas o conteúdo, mas também a origem e a integridade do elemento.
4 PONTOS ESSENCIAIS SOBRE CRIMES DIGITAIS
Os crimes digitais são aqueles praticados com utilização de recursos tecnológicos ou que envolvem sistemas, dispositivos e ambientes digitais.
Nesse contexto, celulares, computadores, redes sociais e aplicativos podem aparecer tanto como instrumentos utilizados na prática do crime quanto como fontes de elementos importantes para a investigação.
Por isso, a análise de cada caso depende da conduta praticada, do meio utilizado e das circunstâncias concretas.
1. Fraude eletrônica
A fraude pode ocorrer por meio de redes sociais, contatos telefônicos, mensagens, e-mails fraudulentos, aplicações de internet ou outros meios utilizados para induzir alguém a erro e obter vantagem ilícita.
A legislação brasileira prevê tratamento específico para a fraude eletrônica. O Código Penal estabelece, no art. 171, § 2º-A, pena de reclusão de 4 a 8 anos e multa para a hipótese prevista nesse dispositivo.
2. Invasão de dispositivo informático
A invasão de celular, computador ou outro dispositivo pode configurar crime quando preenchidos os requisitos previstos no art. 154-A do Código Penal.
A legislação também prevê consequências mais graves em determinadas situações, como quando a invasão resulta na obtenção de comunicações privadas, informações sigilosas ou controle remoto não autorizado do dispositivo.
3. Crimes contra a honra
Ofensas, acusações falsas e outras manifestações podem gerar consequências jurídicas mesmo quando realizadas pela internet.
Por isso, uma publicação em rede social, uma mensagem privada ou um comentário público não deixa de ser juridicamente relevante apenas porque ocorreu no ambiente digital.
4. Ameaças e outras condutas
Mensagens, áudios, vídeos ou publicações também podem integrar investigações relacionadas a ameaças e outras infrações penais.
Entretanto, o conteúdo deve ser analisado dentro do contexto em que foi produzido e compartilhado.
PRINCIPAIS CRIMES PRATICADOS NO AMBIENTE DIGITAL
PROVAS DIGITAIS: O QUE PODE SER ANALISADO?
A investigação de um crime digital pode envolver diferentes elementos.
Principais exemplos:
Mensagens e conversas;
E-mails;
Fotografias e vídeos;
Áudios;
Publicações em redes sociais;
Registros de acesso;
Dados de conexão;
Informações de dispositivos;
Arquivos armazenados;
Dados relacionados a aplicações de internet.
O Marco Civil da Internet estabelece regras sobre guarda e disponibilização de registros e protege a intimidade, a vida privada e o sigilo das comunicações. Em determinadas situações, o acesso a registros ou ao conteúdo de comunicações privadas depende de ordem judicial.
A PROVA DIGITAL PRECISA SER PRESERVADA
Uma captura de tela pode ajudar a demonstrar determinado fato, mas a análise de uma prova digital não deve se limitar à imagem apresentada.
É importante considerar a origem do dado, o contexto, a integridade do conteúdo, a forma de obtenção e sua relação com os demais elementos da investigação.
Além disso, dependendo do caso, informações técnicas podem ajudar a verificar a origem de determinado acesso ou dispositivo.
CELULAR E COMPUTADOR PODEM SER INVESTIGADOS?
A apreensão de um celular ou computador e o acesso ao conteúdo armazenado nesses equipamentos são questões que podem exigir análises diferentes.
Por isso, deve-se observar a existência de autorização, a finalidade da diligência, os limites estabelecidos pela decisão judicial e a forma como os dados foram extraídos e preservados.
Da mesma forma, o acesso a registros mantidos por provedores de internet ou aplicações deve observar as regras previstas na legislação.
Identificação de conexões
Em 2026, o Decreto nº 12.975 acrescentou regra ao Decreto nº 8.771/2016 para estabelecer que o dever de guarda de registros de endereço IP pode abranger a porta lógica de origem, quando necessária para identificar de forma inequívoca o terminal de origem. O fornecimento desses dados continua sujeito às regras legais aplicáveis.
Fraudes eletrônicas
Também em 2026, a Lei nº 15.397 promoveu alterações no Código Penal, inclusive no tratamento do estelionato e de condutas relacionadas ao ambiente digital. O texto atual do art. 171 mantém previsão específica para fraude eletrônica.
2026: O QUE MUDOU OU MERECE ATENÇÃO?
1. Preserve as informações
Não apague mensagens, arquivos ou outros dados que possam estar relacionados aos fatos.
2. Evite alterar o conteúdo
Modificar ou excluir informações pode dificultar posteriormente a análise do material.
3. Observe a origem das provas
É importante verificar como determinado dado foi obtido e apresentado.
4. Procure orientação jurídica
Cada investigação possui circunstâncias próprias. Por isso, a análise deve considerar os fatos concretos, os elementos existentes e os procedimentos utilizados pelas autoridades.
O QUE FAZER DIANTE DE UMA INVESTIGAÇÃO POR CRIME DIGITAL?
A INVESTIGAÇÃO DIGITAL POSSUI LIMITES
O ambiente virtual não elimina as garantias previstas na Constituição e na legislação.
A investigação pode utilizar recursos tecnológicos para identificar autoria, localizar informações e reunir elementos probatórios. Entretanto, a obtenção desses dados deve respeitar os requisitos legais aplicáveis.
O Marco Civil da Internet, por exemplo, protege a intimidade, a vida privada e o sigilo das comunicações, além de estabelecer regras específicas para o acesso a registros e conteúdos privados.
Os crimes digitais exigem uma análise que considere tanto a conduta praticada quanto a forma como as provas foram obtidas. Mensagens, registros, dispositivos e dados eletrônicos podem contribuir para uma investigação, mas sua origem, integridade e legalidade também precisam ser avaliadas.
Por isso, compreender os limites da investigação e as particularidades das provas digitais é fundamental para uma análise jurídica adequada de cada caso.
Crimes digitais são infrações praticadas com uso de computadores, celulares, redes sociais, aplicativos, sistemas ou outros meios tecnológicos. A conduta pode atingir o patrimônio, a honra, a privacidade, os dados ou outros bens jurídicos.
Quais são exemplos de crimes digitais?
Entre as principais situações estão:
Invasão de dispositivo informático;
Fraudes eletrônicas e golpes pela internet;
Estelionato praticado por meio digital;
Falsificação ou uso indevido de informações;
Crimes contra a honra praticados nas redes sociais;
Ameaças realizadas por aplicativos ou redes sociais;
Divulgação indevida de determinados conteúdos;
Furto ou obtenção ilícita de dados em determinadas circunstâncias.
Invasão de celular ou computador pode ser crime?
Sim. A legislação brasileira prevê crime para determinadas formas de invasão de dispositivo informático, especialmente quando alguém invade dispositivo alheio para obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização.
A análise depende da forma como ocorreu o acesso, da existência de autorização e da finalidade da conduta.
Golpes pela internet podem gerar processo criminal?
Sim. Fraudes praticadas pela internet podem configurar crimes como estelionato, inclusive em modalidades específicas previstas na legislação.
A investigação pode analisar mensagens, transferências bancárias, contas utilizadas, registros de acesso, dispositivos e outras evidências digitais.
Como funciona a defesa em crimes digitais?
A defesa deve analisar a legalidade da obtenção das provas, a autoria atribuída ao investigado, a integridade dos dados e o contexto em que ocorreu a conduta.
Entre os principais pontos analisados estão:
origem e autenticidade das provas digitais;
registros de acesso e dispositivos;
mensagens e arquivos apresentados na investigação;
cadeia de custódia, quando aplicável;
perícias técnicas;
eventual autorização para acesso aos dados;
existência ou não de dolo e participação na conduta.