NULIDADES E GARANTIAS PROCESSUAIS
Nem todo erro processual gera automaticamente a anulação do processo.

A Constituição assegura o devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
Também estabelece que provas obtidas por meios ilícitos são inadmissíveis.
Um erro processual precisa ser analisado juridicamente.
O STJ destaca a aplicação do princípio pas de nullité sans grief: em determinadas hipóteses, não se reconhece a nulidade sem demonstração de prejuízo concreto.
O STJ destacou em 2026 que a integridade e a auditabilidade da prova digital exigem preservação da cadeia de custódia e possibilidade de exame técnico independente.
Em decisão de 2026, o STJ reconheceu situação em que o prejuízo concreto decorrente da falta de acesso adequado aos elementos probatórios afetava a atuação defensiva.
4 PONTOS ESSENCIAIS SOBRE NULIDADES E GARANTIAS PROCESSUAIS
O devido processo legal está previsto no art. 5º, LIV, da Constituição Federal.
Ninguém pode ser privado de sua liberdade ou de seus bens sem que sejam observadas as garantias e regras do processo.
Isso significa que o Estado não pode simplesmente investigar, acusar, produzir provas e condenar alguém sem respeitar as regras estabelecidas pelo ordenamento jurídico.
A garantia não significa que todo erro processual produzirá automaticamente a anulação do processo. É necessário analisar a natureza do vício e seus efeitos.
O contraditório permite que a defesa tenha conhecimento dos elementos relevantes do processo e possa se manifestar sobre eles.
Não basta permitir que a defesa fale formalmente.
Em determinadas situações, é necessário garantir possibilidade real de participação e reação.
O contraditório está diretamente relacionado à efetividade da defesa.
A Constituição também assegura aos acusados em geral a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
Na prática, isso envolve tanto a defesa técnica realizada pelo advogado ou defensor quanto os instrumentos processuais disponíveis para contestar a acusação.
A defesa precisa ter condições concretas de exercer essas faculdades.
Quanto mais concreta for a demonstração, mais clara será a análise judicial.
O CPP estabelece regras específicas sobre o momento de arguição das nulidades.
O art. 571 prevê diferentes momentos conforme a fase e o tipo de procedimento.
Mas a existência de um arquivo digital não resolve automaticamente a questão de sua autenticidade.
Em março de 2026, o STJ decidiu que, diante de dúvida razoável sobre a integridade e autenticidade de prints de WhatsApp, seria necessária perícia para verificar tecnicamente o material e permitir contraditório efetivo.
O CPP disciplina a cadeia de custódia justamente para preservar a história do vestígio desde o reconhecimento até o descarte.
A fundamentação permite compreender por que determinada conclusão foi adotada.
O procedimento previsto no CPP deve ser observado, e o STJ possui jurisprudência específica sobre reconhecimento pessoal e fotográfico.
Esse tema ganhou ainda mais importância porque erros de reconhecimento podem ter impacto direto sobre a identificação do acusado.