RECURSOS E ATUAÇÃO PERANTE TRIBUNAIS
Recorrer não significa simplesmente pedir para o tribunal “rever tudo”.

A defesa precisa começar pela decisão que pretende questionar. Primeiro, deve identificar quem decidiu, o que foi decidido, em qual fase processual a decisão foi proferida e quais fundamentos o julgador utilizou.
Essa análise evita a escolha de um instrumento inadequado e permite definir qual recurso ou medida processual possui previsão legal para aquela situação.
Depois de identificar a decisão, a defesa precisa verificar qual instrumento jurídico a legislação permite utilizar.
Apelação, recurso em sentido estrito, embargos de declaração, habeas corpus, recurso especial, recurso extraordinário e revisão criminal possuem finalidades e requisitos diferentes.
Por isso, a defesa não deve escolher o recurso apenas porque discorda da decisão. Ela precisa relacionar a natureza da decisão com a hipótese legal de cabimento.
Depois de identificar o recurso adequado, a defesa precisa verificar o prazo e todos os requisitos necessários para que o tribunal conheça da impugnação.
Nesse momento, ganham importância questões como tempestividade, legitimidade, interesse recursal, regularidade formal, fundamentação e impugnação específica dos fundamentos da decisão.
Assim, não basta apresentar bons argumentos sobre o mérito. O recurso também precisa cumprir os requisitos processuais aplicáveis.
Por fim, a defesa precisa delimitar a matéria que pretende levar ao tribunal.
Essa etapa se torna ainda mais importante quando o processo chega ao STJ ou ao STF, porque os tribunais superiores possuem competências constitucionais específicas.
Em resumo:
decisão → recurso adequado → requisitos e prazo → matéria que o tribunal pode analisar.
Essa sequência ajuda a compreender por que a atuação recursal exige planejamento desde o primeiro momento.
4 PONTOS ESSENCIAIS DOS RECURSOS PERANTE TRIBUNAIS
Antes de analisar o mérito do recurso, o tribunal pode verificar se a impugnação atende aos requisitos necessários para ser conhecida.
Isso significa que a defesa precisa trabalhar em duas frentes.
Primeiro, deve demonstrar que o recurso pode ser analisado pelo tribunal.
Depois, precisa apresentar os fundamentos relacionados ao mérito da questão discutida.
Portanto, um recurso pode apresentar argumentos jurídicos relevantes e, ainda assim, enfrentar uma questão de admissibilidade que impeça o tribunal de analisar determinado ponto.
A sustentação oral pode ser admitida em determinadas classes processuais e depende das regras legais e regimentais aplicáveis ao julgamento.
O STJ possui mecanismos próprios para pedidos de preferência e sustentação oral e também estabelece regras específicas para julgamentos virtuais.
Assim, a preparação da sustentação oral deve começar antes da sessão de julgamento. A defesa precisa conhecer o processo, identificar os pontos centrais e verificar previamente as regras aplicáveis à modalidade de julgamento.